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Mulally fala dos planos para a Ford Brasil

Pela primeira vez, um carro feito no Brasil, inicialmente para o mercado local, será produzido em outros quatro países e vendido em diversos mercados mundiais. A nova versão do Ford EcoSport, que está sendo totalmente desenvolvida no País, será fabricada também na Ásia e na Europa. O presidente mundial da Ford, Alan Mulally, no entanto, ainda faz segredo sobre os outros quatro países. "Vamos anunciar no momento oportuno", disse.

Até agora, a maioria dos automóveis fabricados no Brasil é de projetos desenvolvidos pelas matrizes ou pelas próprias subsidiárias, mas, nesse caso, apenas para atender ao mercado regional - como foi o caso do próprio EcoSport. O EcoSport renovado e global será lançado em 2012 no Brasil. Além dos cinco países que abrigarão linhas de montagem, o modelo será vendido em mais de 30 mercados. Estima-se vendas anuais superiores a 500 mil unidades.

A primeira versão do EcoSport foi lançado em 2002 e teve participação importante na recuperação da Ford brasileira, que no início dos anos 90 quase fechou as portas no País. O modelo atual é produzido na fábrica da Bahia, uma das mais modernas do grupo, onde está também o centro de desenvolvimento, que trabalha numa versão totalmente renovada do carro. A unidade terá sua capacidade produtiva ampliada dentro do programa de investimentos do grupo, de R$ 4,5 bilhões para os próximos cinco anos. Nas mãos do governo federal, porém, já há outro projeto de investimentos para Camaçari a partir de 2015.

Em entrevista ao Estado, durante o Salão do Automóvel de Detroit, Mulally disse que esse novo desafio mostra que "o Brasil é peça-chave para a estratégia global da Ford".

O que significa para a Ford o desenvolvimento de um carro mundial no Brasil?
Significa que o Brasil é absolutamente uma peça-chave para a estratégia global da Ford, para o plano que chamamos "One Ford" (Uma Ford). Significa que estamos usando toda nossa capacidade ao redor do mundo. O Brasil é um mercado fantástico. Nós amamos os consumidores brasileiros. Vamos usar todo o talento que há no País para desenhar e produzir carros, e o EcoSport é o primeiro deles.

Por que só agora o Brasil foi escolhido para criar um produto mundial?
Porque esse é o momento. Os brasileiros são precisos, capazes e bem-humorados.

Quais países, além do Brasil, vão produzir o novo EcoSport?
São cinco países, no total. No momento oportuno, anunciaremos quais.

Quais as suas expectativas para o mercado brasileiro, depois das vendas recordes em 2010?
Acredito que o mercado vai continuar crescendo, por conta do tremendo foco no desenvolvimento econômico do País. O Brasil está muito focado em fazer crescer sua economia, e esse é o ponto mais importante.

Qual é hoje a importância da Ford brasileira para o grupo?
É muito importante, é um dos nossos maiores mercados. Os consumidores brasileiros dão muita importância ao design, à qualidade, à eficiência dos combustíveis e a ferramentas inteligentes. É uma tremenda oportunidade atender os consumidores brasileiros.

A fábrica da Bahia foi novamente beneficiada por novos subsídios do governo federal dentro do acordo automotivo para a região Nordeste. Qual é o novo plano para essa unidade?
Teremos um novo plano de investimentos a partir de 2015, mas não posso adiantar nada.

O forte crescimento de concorrentes asiáticos, principalmente chineses e coreanos, no Brasil e nos EUA, preocupa o senhor?
Prestamos muita atenção nos concorrentes, não vou negar. Mas vamos manter nosso plano, utilizando nossa escala com produtos globais. Podemos ter mais comunicação de plataformas para reduzir custos e oferecer a melhor acessibilidade para concorrer com nossos competidores.

Depois de recuperar a segunda posição em vendas nos Estados Unidos no ano passado, desbancando a japonesa Toyota, qual será a boa notícia da Ford para este ano?
Uma grande notícia é a eletrificação da Ford. Teremos produtos eficientes em todos os segmentos, uma linha completa para o consumidor escolher. Se você quiser um carro híbrido, a Ford tem. Se quiser um elétrico, a Ford tem. Se preferir um plug in, a Ford tem. O poder de decisão agora é do cliente.


Com informações do Automotive Business

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